Em 2008 eu escrevi um artigo em Linguística de acordo com o "jogo de imagens" na teoria da Análise do Discurso de Michel Pêcheux, que se refere a um sistema de formações imaginárias (FIs) as quais determinam como os sujeitos e seus interlocutores se veem e se relacionam dentro de um contexto discursivo. Escolhi como objeto da análise A Parábola do Bom Samaritano por ser uma narrativa curta que encerra um conteúdo moral explícito ou implícito; alegoria que encobre de véu uma verdade”. "Segundo judeus cabalistas, 'a luz celestial nunca desce até nós sem um véu [...]. É impossível que um raio divino brilhe sobre nós, a menos que velado por uma diversidade de revestimentos sagrados'”.
A partir dessa parábola, elaborei possíveis formações imaginárias presentes no seu jogo discursivo:
1. Qual é a imagem que Jesus tem de Si mesmo?
2.Qual é a imagem que Jesus tem do Doutor da Lei?
3.Que imagem o Doutor da Lei tem de si mesmo?
4.Que imagem o Doutor da Lei tem de Jesus?
Jesus tinha plena consciência de Sua divindade e de Seu caráter messiânico quando interagia com os representantes do Sinédrio, o mais alto tribunal religioso dos judeus, Ele os confrontava com a própria revelação da Lei que conheciam tão bem e os acusava de hipócritas, corruptos, vaidosos, pois apesar de parecerem corretos e santos externamente, eram corruptos internamente, sepulcros caiados.
Antes de ser conduzido pela narrativa de Jesus, o doutor da Lei considerava Jesus um impostor e um inimigo a ser destruído. O final do diálogo deixa a possibilidade de uma epifania, pois concorda que o samaritano (desprezado pelos sacerdotes) foi o próximo do homem ferido e, ao fazer tal afirmação, ele desconstrói o lugar sócio-histórico que este ocupava em seu imaginário e se volta sobre sua enunciação, reconsiderando valores e ideologias.



