Essa ideia de engarrafar os alunos e pôr uma rolha ou engessá-los, para muitos professores e gestores representa poder e "domínio de sala".
Trabalhei em escolas particulares com câmeras de monitoramento que, entre outras finalidades, mensuravam o poder domador do professor, tornando a sala de aula uma Agonia para os que acreditam na Filosofia do Diálogo, no Eu e Tu refletido por Buber.
Em 2013 sofri assédio moral e calúnias numa escola pública, por parte de uma gestora e colegas ao seu comando, porque me neguei a gritar os alunos como parte da Disciplina, tudo isso porque ela imaginou que por ser estimada por eles eu quisesse ocupar seu cargo numa próxima eleição.
Há também os gestores que passeiam pelas portas fiscalizando a Ordem das cadeiras e pessoas, é uma situação aflitiva, principalmente quando se trata de gente com vontade própria e muita desvontade também. Penso que esse passeio deveria ser para apoio ao professor, encaminhamentos à família, suporte psicológico a todos, não verificação de controle de doma. Penso que muitos esquecem de que já estiveram na Arena.
Hoje enfrentamos problemas sérios, adolescentes em depressão se cortando, sem sonhos, alguns apáticos, outros agressivos, que não reconhecem autoridade escolar nenhuma. Para chegar até eles, requer uma escuta afetiva da Escola,leva tempo e estudo, que não temos, pois há provas brasis para fins políticos, que verificarão o quanto esse aluno aprendeu de conhecimentos que não aliviam seu drama pessoal, afinal, o que uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de gerúndio, quando anoitecer, mudará sua história se ele não descobrir antes que Conhecimento é Poder?
Penso que enquanto a Escola não entender que não funciona sem a presença da Família e da Gestão exercendo seus legítimos lugares, só delegando ao professor toda responsabilidade do sucesso e/ou fracasso do aluno, temos uma profissão em extinção.
Profa. Evânia Vilar

